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03 março 2008

Feito sabiás, partimos

Oficialmente"cabou-se". Foi indescritível pisar em Bauru nesta "última vez". Foi com a família, sempre atenta aos abraços dos amigos, mal sabendo o significado de muitos deles. Colação foi aquela cerimônia de sempre, que sempre caçoamos, todos os anos, mas quando a pieguice quedou para nosso lado, segurar as lágrimas foi desumano. Chegou a vez da comemoração desse grupo, dessa comunidade de amigos, dos fazedores de histórias belas e inesquecíveis na UNESP, nas ruas e nas nossas viagens. Queria abraçar infinitamente todos vocês a todo instante. Se 4 anos de universidade - universidade com todas as letras e significados - passaram e renderam uns 30 anos de vida, esses dois dias de "até logo", "tchau" e de "valeu, meu véio" foram um furacão. Na volta, logo no domingo, um filme passou em minha cabeça. Fórum; Uni (o prédio-caverna do meu 1º ano de unespiano); todos, todos os protagonistas dessa história; congressos; interunesps; festas de república; iniciação científica e a amizade de professores que souberam ser mestres; as greves e suas consequências; a rua onde criei coragem e comecei a namorar a Ju (a namorada, amiga e companheira de 3 dos 4 anos de UNESP); a minha ex-república, sempre cheia de contradições enriquecedoras; os cantos e recantos da "cidade sem limites". Na verdade, não houve limites mesmo foi para relembrar.Porque as lembranças são muitas, se confudem e agora fazem parte de um relicário dos melhores anos da minha vida. Melhores porque estiveram preenchidos por grandes, enormes personagens. E eu amo vocês. Se é para ser piegas de vez, saibam que valeu muito a pena. Em cada esquina de Bauru me veio alguma lembrança, e parece mesmo que aquela cidade guardou, sorrateiramente, algum pedaço de todos nós.

22 novembro 2007

A azeitona da empada de Bauru

Vim morar em Bauru já faz quatro anos. Vim para estudar. Mas, não é preciso tese acadêmica para esclarecer que um estudante vivendo onde for não vai apenas estudar. Aqui não foi diferente. Antes de pisar na “cidade sem limites” já ouvia dos mais viajados para não esquecer de provar o tal sanduíche. Até ouvi gente dizendo que a invenção de Casimiro Pinto Neto era a responsável pelo nome da cidade. Folclores.
Bem, demorei em abocanhar um bauru em Bauru. Só não tardei em sair aos seus cantos na noite, aqueles lugares com mesas, música e bebida que chamamos de bares. Aqui, há um zoológico imenso deles e não demorei em notá-los. Abocanhei mesmo.
Tenho meus preferidos, igual a todo mundo. Nem lembro a primeira vez que pisei no Caju, só sei que foi antes da reforma. Agora ele tá lá, todo grande, dificilmente com mesa vazia. Continua reunindo aquela variedade de gente, velha e nova, homem e mulher. Antigamente (uma força de expressão para dizer “há dois anos”), a música no Caju se resumia a um banquinho e um violão. Hoje, tem espaço para percursionistas, outros instrumentos, um carnaval com um telão de enfeite. Mas, não se engane: no Caju, a quantidade acompanhou a qualidade. O som ali continua uma beleza. Só não sei se os guardanapos com pedidos de música continuam chegando às mãos dos músicos.
Onde sempre pedi música foi no Jeribá. Tenho uma teoria sobre esses pedintes, iguais a mim. Esse cidadão é aquele falso quieto, que chega ao recinto todo cheio de cerimônia, miudinho. Dá quatro cervejas pra ele que vai faltar guardanapo na mesa e caneta no bolso do garçom. E o cara no violão, cumprindo o seu ofício, vai ter que se desdobrar para executar todas as pérolas da MPB. No Jeribá sempre se desdobraram.
Engraçado que guardo boas recordações do Los Compadres e lá não tem música ao vivo. Aí, você vai dizer: “ah, tem música ambiente!”. Ter, tem, mas nunca decifrei um só rock que tocou ali. A balbúrdia dos bate-papos nas mesas falam bem, bem mais alto. E essa é a coisa mais gostosa do escurinho do Los: a conversa. Você entra lá com uma turma, senta, bebe uma cerveja bem gelada e volta pra casa rouco de falar e rir, não necessariamente nessa ordem.
E tem a saideira. Na verdade, há toda uma cultura em volta desse capricho. Graças à simpatia de um velho amigo de mesa sempre simpático com os garçons, fui contemplado com esse agrado tantas vezes. Às quatro, cinco da manhã, saíamos dos bares e não me recordo de muitas ocasiões em que não levávamos copos de cerveja de graça nas mãos. E saideira é sempre a cerveja mais gostosa. Isso é inexplicável.
Muitas delas conquistamos no Alecrim, o melhor bar de Bauru, na minha modesta opinião. Ali há um palquinho decente, onde uma dezena de músicos se revezam no palco. Vão do samba-canção ao samba-enredo com uma elegância que dá inveja. Nunca deixei de arriscar uns passos tortos ali. E não fui o único.
Sim, já me esquecia, comi o Bauru, duas vezes, uma no Skinão, outra no Bauru Chic. O autêntico bauru, com rosbbife, não com presunto. Valeu a pena. Mas, confesso: em Bauru não troco um caju com alecrim ao lado de compadres por sanduíche nenhum desse mundo.

27 junho 2007

A GREVE - ÚLTIMO ATO: O TIRO NO PÉ E OS DESMASCARADOS

suspensão da greve de estudantes (312 favoráveis; 174 contrários e 34 abstenções)
suspensão da greve de funcionários (por contraste)
suspensão da greve de professores (por unanimidade)


Hoje, saímos da greve. Mas, é claro, com as particularidades que só a cidade dos buracos proporciona. As três categorias (servidores, professores e estudantes) votaram pela suspensão da greve, em voto por segmento, durante a Assembléia Unificada de hoje à tarde (26/06), no Guilhermão. Houve outras deliberações:

-Criação de um Fórum de todos os campi da Unesp, a ser sediado em Bauru (data ainda será definida);
-Convocação de uma audiência pública com os três diretores das faculdades do campus de Bauru;
-Convocação de uma audiência pública com o reitor Marcos Macari em Bauru, para que ele discuta a nossa pauta de reivindicações;
-Realização de um flash-mob nas principais ruas de Bauru na terça-feira, dia 03 de julho;
-A reposição de aulas foi aceita por funcionários e professores;
-A data para volta às atividades normais: segunda-feira, dia 02 de julho.

Sim, é isso mesmo. A greve acabou hoje, dia 26, e as aulas, para assobios frenéticos da FEB (Faculdade de Engenharia de Bauru), só voltarão dia 2 de julho. Algo errado, né, cara pálida? Seguinte: a FEB quer fim de greve e um tempinho para festinha! Não entenderam? Hoje a greve acabou, eu votei pela continuidade da greve, mas ela acabou, pronto! Certo? Não.

Entre a FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação), teve muita gente que votou contra a greve, outros a favor, além de algumas abstenções. A FEB, é claro, votou contra a greve, na sua maioria. Daí teve votação pela volta às aulas. A FAAC, inclusive quem era pró-greve, entendeu que a greve havia acabado e votou pela volta às aulas na quinta (28/06), e não quarta (27/06), para dar chance para quem não está em Bauru voltar sem transtornos. E a FEB? Adivinha? Tchan-tchan-tchan-tchan-tchan! Sim, votou maciçamente pela volta na segunda-feira (2/7). Ou seja, a FEB passou o mês inteirinho atacando a greve, utilizando os argumentos mais "coesos", aqueles bem bestiais mesmo, os do tipo "ah, faac é vagabundo, baderneiro, faz greve porque não quer ter aula". Pois bem, a greve acabou e, devido ao voto em peso da FEB, as aulas voltam na segunda-feira, e não na quinta. Duas perguntas engasgadas: era para greve acabar ou não? Ou, então: quem é vagabundo que não quer ter aula? A escolha por segunda-feira tem uma só explicação: molecagem. Por favor, o que se passa, ou o que não se passa, na cabeça da engenharia de Bauru? Sim, a engenharia do pensamento umbilical!

A greve acabou. É fato. Mas, a opção pela volta às aulas só na segunda-feira é triste, medonha e nojenta. Olha que "engraçado"! Muita gente argumentava, ainda ontem, na Assembléia Estudantil, que seria razoável que os estudantes acompanhassem a saída dos professores, porque a greve docente está decaindo no estado, porque haverá novas lutas esse ano, porque "o bicho ainda vai pegar mais embaixo e vai ter professor sentando na graxa com o Serrinha, o Canalha" e porque uma greve estudantil seria impraticável neste momento, pois as aulas seriam dadas e a greve estudantil existiria apenas por "status" de greve. E, o que aconteceu? Em assembléia saímos juntos, todas as categorias, da greve. Tudo certo, tudo bem-bem. Saímos da greve, mas aula só na segunda, rapaz! Ou seja, não temos o tal "status" de greve, mas nos comportamos como se estivéssemos em greve: sem aulas. Obrigado pela incoerência das amebas que residem nas cabecinhas da FEB! Se quiserem explicar à sociedade, fiquem à vontade, convoquem a bateria, quiçá.

Ninguém questiona a saída da greve. O que se questiona é: A FEB, na sua maioria, queria mesmo o fim da greve? A FEB queria mesmo aula? Porque terminar com a greve, nesta altura, e determinar que as aulas voltarão daqui há uma semana apenas? Enquanto vota-se pelo fim da greve, a FEB vota por segunda-feira. Ou seja, obriga as três categorias a paralisia por uma semana, consumindo o dinheiro público, enquanto garante uns dias de "férias". Devem ir para uma micareta da vida, discutir os decretos d'o Canalha entre um gole e outro de óleo de peroba. Ou vão dormir o "sono dos justos" e pensar: "nóis é foda, papai nem imagina!".

Saí tranquilo quanto a greve, e até acho estratégico reunir forças para os próximos confrontos entre Serra e Ensino Público. Achei que a convocação das audiências são perfeitas. Mas, quanto ao voto pela volta às atividades na segunda-feira, fincada pela FEB, só tenho uma certeza: Se essa greve começou com a máxima GREVE NÃO É FÉRIAS, os "sócios do clubinho febiano" trataram de garantir FÉRIAS SEM GREVE. Isso mostra o quanto eles estão preocupados com a Universidade Pública e, imagino, devem ter agradado aos papais e mamães que vão fazer "óóó" quando a bomba da privatização estourar. A bunda na graxa, já dizia o Dino, logo sentirão os professores (inclusive os fura-greves, os "educadores" dos pimpolhos da FEB!).
Aos coerentes, parabéns, parabéns e, para não deixar de dizer, parabéns! Aos escrotos, descansem! Sem paz!,



PS.: Haverá ato contra a ação policial em Araraquara. Mais informações em GREVE NÃO É FÉRIAS. Como disse o ilustre Dino, outra vez, "na história da Universidade no Ocidente, não teve rei, tirano e papa que pisou na Academia. Não há problemas em policial na Universidade. Eles podem entrar. É só fazer e passar no vestibular. Serão bem-vindos!".

20 junho 2007

Em cartaz: A GREVE

Professores, funcionários e alunos continuam paralisados.
490 à favor; 368 contra; 6 abstenções.


Romantismos a parte, ontem o Guilhermão viveu uma tarde histórica. Para alguns o resultado foi, indo além dos números e da deliberação final, o acirramento dessa tensão entre a FEB (Faculdade de Engenharia de Bauru) e a FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação). Será? Não penso assim. No calor do momento, comemorei a vitória pela manutenção da greve abraçado a colegas "engenheiros". Isso, após ter testemunhado voto contrário de conhecidos da FAAC. E, qual é o problema?

A Unesp Bauru tem ainda a FC (Faculdade de Ciências), vale lembrar. Mas o que não se deve esquecer é que a tarde de ontem propiciou um debate para além do voto bipolar FAAC e FEB. Houve aqueles que "choraram" com a decisão. Vi professor dizer que ia furar a greve mesmo assim, desrespeitando a plenária que participou por mais de 3 horas. Também vi aluno gritar "vocês são massa de manobra" para o aglomerado da FAAC. Uma opinião: para mim, massa de manobra é o que alguns professores da FEB pensam dos seus alunos, afinal estes convocaram os seus via e-mail para a assembléia, apenas invocando um voto pré-definido. E deu no que deu. Estes professores cheios de "siricutico" são exatamente os mesmos boateiros do "greve acabou" que desrespeitam os organismos representativos. E, se aprenderam algo ontem, foi o seguinte: se Universidade Pública é muito mais do que um canudo bonitinho, assembléia grevista é muito mais que votação.

Diversos alunos da FEB, no entanto, permaneceram no local. Dialogaram, questionaram os decretos, se informaram sobre as ações do comando de greve. Se os e-mails dos docentes da FEB acabaram por trazer estudantes e, alguns desses, ouviram os avanços e desafios do movimento, meu muito obrigado aos professores "fura greve". Vocês fizeram um enorme favor ao debate e a saúde do movimento. Aos alunos da FEB, independente do voto, meus parabéns. Conduzidos ou não por professores "fura greve", vocês preencheram o lugar que cabe a todo aluno da UNESP na Assembléia Unificada. Fizeram o mínimo esperado do discente, que é comparecer às discussões. Coisa que a maioria dos docentes da UNESP Bauru, infelizmente, ainda não aprendeu a fazer.

Saí do Guilhermão com uma sensação totalmente diversa da que cheguei às 14 horas. Saí muito menos com o "gosto da vitória" do que com a certeza de que o interesse pelo movimento grevista cresce entre as três categorias. Por outro lado, comemorar em demasia pela votação, diante dos desafios que ainda nos assombram, não cabe neste momento. Comemorações diante de um cenário de incertezas pode ser sintoma de falta de bom senso. O maior feito que me faz, sinceramente, comemorar a tarde de ontem, foi encontrar 900 pessoas reunidas, ocupando os seus espaços, ouvindo algo além do noticiário global e exercendo o que se espera de uma comunidade acadêmica. Num anfiteatro sem as velhas bandeiras de partidos, ficou difícil não ouvir e enxergar as demandas mais necessárias para a Universidade Pública, tão maltratada pelos tucanos mais recentes.

Quando saí do local, algumas pessoas, das três faculdades, ainda debatiam, se informavam e dialogavam idéias, como deve ser. Ninguém ganhou ou perdeu hoje. E, se houve vitória, ela foi do ensino público, da democracia e da UNESP de Bauru. Como disse o Giovanni, "o canal com a reitoria está aberto, não vamos deixar isso nos escapar". Pois é, Gigio, o canal continuará aberto. Ainda bem.


Lembrete

Ontem, alguns alunos ocuparam a diretoria da UNESP de Ourinhos. Agora são 5 diretorias unespianas ocupadas no interior. Na USP de São Carlos também houve ocupação. Além disso, outras ocupações persistem em federais por todo o país e a PM invadiu a UNESP de Araraquara nesta madrugada. Lamentável.

Atitudes autoritárias, na esteira do autoritarismo dos decretos de José Serra, só devem desencadear o pior. Isso é fato. E ninguém deixou de avisar, pelo menos até agora.

--->>> mais informações em: GREVE NÃO É FÉRIAS.

08 junho 2007

Em cartaz: A GREVE - estrelando, o deputado piadista!!

Alguém hoje leu o texto de opinião "Até quando?", do deputado estadual João Mellão Neto? Saiu em O Estado de S. Paulo e, torço ferozmente meus amigos, pois só pode ser uma piada.

Respondi ao jornal, enviando um e-mail. Também enviei para o dito cujo. Engraçado, acho que não irão publicá-lo. Por que será? Minha resposta ao sr. Mellão, o piadista:

Caro Mellão, você deve ser um sujeito muito feliz, afinal pôde escolher entre a USP e a FGV. Por que o sr. não visita as públicas "veredas" universitárias de São Paulo? Certamente concluirá mais do que a briga pela autonomia. Os decretos são o auge do desmantelamento do Ensino Superior Público laico, de qualidade e com responsabilidade social. Quesitos que só mereceram o desserviço do sr., no textículo que exaltou a repressão aquática do seu mártir, Jânio Quadros, e corroborou para o senso comum ridículo que a grande imprensa patrocina. Continue aí construindo suas falácias na sua bancada tão distante dos estudantes de USP, UNESP e UNICAMP, alheio às manifestações que tanto devem lhe incomodar. Disse que os ocupantes da USP "sequer são cidadãos". Parabéns pela capacidade inventiva, sr. Cidadão!

06 junho 2007

Em cartaz: A GREVE - outros atos obscuros, sem reflexão e cheios de cagadas em algumas TVs e jornais gorduchos

O jornal O Estado de S. Paulo e Folha de São Paulo reportaram outras ocupações hoje. A edição online da Folha disse em reportagem: "Na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), as invasões fazem parte do dia de mobilização nacional que a UNE (União Nacional dos Estudantes) prepara para hoje no país. Já os alunos que invadiram a reitoria da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) negam articulação com a entidade estudantil."
Sinceramemte, duvido da ligação das duas ocupações - UFPE e UFPR - com a UNE. A não ser que a direção do movimento estudantil nestas universidades tenha rabo presinho presinho com a UJS (União da Juventude Socialista), órgão do PC do B (Partido Comunista do Brasil), outro que tem rabo presinho presinho com o governo Lula, o governo que não fez nada pelo Ensino Superior, a não ser encaminhar a Reforma Universitária sem discussões e dar outro nome para o ineficaz Provão, que foi rebatizado de ENAD (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes).
Para quem não sabe, há tempos a UNE não representa os estudantes efetivamente. Com eleições fraudulentas ela se comporta, desde o início da Era Lula, como braço do governo. As manifestações e o cerne do movimento estudantil em ação atualmente não tem relação alguma com a UNE.
Palhaçada será se o âmbito do movimento unificado pela Universidade pública estender-se em âmbito federal e tivermos à mesa das negociações Lula e seus amiguinhos da UJS.

Bauru

Gostaria de parabenizar os representantes do Movimento Unificado da UNESP de Bauru pelo encontro com o reitor Macari, quando expuseram as reivindicações locais. Apoio à Ocupação da USP é preciso, como é urgente debater em todo lugar o ultraje que significam a Secretaria de Ensino Superior e os famigerados decretos. Mas, imensamente fundamental é tratar das questões que ferem a realidade que mais conhecemos, a realidade da UNESP Bauru. Não se trata de oportunismo, por mais que seja o momento mais oportuno. Trata-se de coerência com as lutas históricas desta unidade unespiana.
Continuo acompanhando à distância o Movimento. Sei que muitos estão sacrificando seus compromissos por ele. As palavras do post anterior foram um desabafo. Sei que os verdadeiros articuladores, muitos amigos e colegas meus, deste momento histórico não se enquadram no rol dos que critiquei. Para estes, toda a força possível e os meus sinceros parabéns pela coragem e racionalidade.


Esse é "o" tema

Nestes dias em que mil coisas estão movendo a Greve e as ocupações, torna-se muito difícil escrever no blog. Mais difícil ainda é escrever sobre outro assunto. Não sou a pessoa mais aconselhável a informar a alguém em que pé estão as mobilizações na UNESP Bauru. Para isso, entre em Greve Não é Férias. Se quiser saber rapidinho o porquê disso tudo entre aqui e, para se informar sobre a Ocupação da USP e em outras universidades, clique aqui. Garanto uma coisa: é melhor do que ir dormir com a "verdade" cheia de maquiagem que passam na Globo ou escrevem em Veja.

17 abril 2007

O último adeus dos que já foram

Há tempos uma pilha do jornal que assinamos só crescia na sala da nossa república. Há tempos também dizíamos: "vamos reciclar, jogar fora, mas não sem antes recortar o que pode ser útil".
Há 4 dias começamos a cumprir a promessa, para desepero das traças que morrerão de fome sem suas manchetes. O trabalho é chato, até porque os jornais costumam amarelar, desbotar com o tempo e dissipar pelo ar um cheiro podre de vinagre se reabertos meses depois de largados no canto.
Essas, porém, não foram as únicas conclusões com as "releituras" dos defuntos papéis. Após uma hora de empenho nos recortes, a dor nas costas já me tirava os restos de bravura em consultar papel fedido. Desisti de passar os olhos por tudo. Sem remorsos.
Saldo final da minha rapa: algumas crônicas, duas matérias sobre a transposição do São Francisco, outra sobre Llosa, uma sobre Woody Allen e uma foto do Luxemburgo de 1990, no comando do Bragantino.
As crônicas se justificam, pois não as li e vou fazer isto antes de, provavelmente, elas serem despejadas de casa; as matérias do Velho Chico são uma incógnita, acho que é dorzinha na consciência por não ter me interessado pelo assunto, ou saudade do Nordeste mesmo; as de Llosa e Allen são por curiosidade em dar uma checada na besteira que o jornal publicou sobre eles desta vez; enquanto a foto do Luxemburgo é motivo pessoal, familiar. Vou mandá-la para uma tia distante, que o adimira, só pra mostrar, de pirraça mesmo, como o homem do black tie já teve seus dias de Sidney Magal.
Como tudo na vida traz uma lição, já dizia e diz D. Valdice, minha vovó, aprendi que jornal é jornal. A natureza do jornalismo emboca na efemeridade do ontem, que amanhã será anteontem. Pode doer para quem pretende escrevê-lo todos os dias, mas isso é fato. É verdade também que a dor maior - pelo menos deveria ser - é por alimentarmos memórias efêmeras.
As reflexões vieram logo após as dores nas costas, mas não vamos esquentar a cuca com isso. No final, o vinagre sumiu, as mãos pretas levaram um bom detergente e quem aqui está lendo não vai saber qual é o jornal que assinamos porque não vou fazer propaganda de graça, oras.
E, saibam todos, a matéria alfineta o Woody Allen. Pobre Woody Allen!