01 Novembro 2009

Sempre vale a pena escrever com prazer

O professor e amigo Marcelo Bulhões publicou mais um livro, A ficção nas mídias.

É uma leitura agradável sobre como as diversas formas narrativas sempre estiveram incorporadas a uma ou outra fonte de ficção - até nos mais novos games. Para falar dela, a ficção, Bulhões percorre com habilidade títulos, teoria literária, esquemas e, certamente, tirou da prateleira alguns importantíssimos exemplares impressos e audiovisuais que enchem os seus e tantos outros olhos e ouvidos em todo o mundo. Foi uma delícia ler este livro. Cada página me levava a recordar as suas aulas, inspiradoras. Tenho certeza que escrevê-lo, no ir e vir de ideias, relendo a história do ficcional, ali perdido em sua biblioteca, com o controle remoto em mãos, a tela cheia em alguns momentos, o som a invocar sensações, Bulhões também deve ter tido uma "deliciante" experiência.

Em aula, a revelação da sua predileção por tanta coisa boa - de western italiano a congeladas cenas de filmes como Os incompreendidos (1959) -, tenho certeza, já fazia parte desta trama toda que deu caldo, virou livro e agora está aí, para todo mundo ler. Tudo fez algum sentido.

E é para tomo mundo ler. Este livro pode inspirar olhares e ajudar no desenvolvimento de muitas pesquisas em que o ficcional midiático se apresenta no meio do caminho. Mas, ela interessa a todos nós que, no fone de ouvido, nas telas, em páginas de papel ou virtuais, somos capazes de nos perder no jogo alucinante de aproximação ou distanciamento das pendências do mundo real.

27 Outubro 2009

A oposição, por Nassif

Quero indicar um post do Nassif. Não estou apenas sem tempo, o Nassif escreveu algo interessante. Mais um capítulo do suicídio da oposição no Brasil. Na verdade, nossa oposição, direita ou esquerda, no passado e hoje, nunca foi uma Brastemp.

"José Serra assumiu a herança de FHC. Juntos, vieram colunistas políticos e econômicos adeptos da internacionalização, do suposto papel civilizatória dos mercados, do racionalismo vesgo contra qualquer forma de gastos sociais, tendo como tacape um iPod que repetia mantras, slogans e refrões. Jamais conseguiram entender o país como um todo, composto de mercados eficientes, sim, mas também de políticas públicas, políticas sociais, indústria, agricultura, movimentos sociais."

Leia o texto todo aqui.

04 Outubro 2009

Mercedes Sosa nos deixou

"Nesta data, na cidade de Buenos Aires, Argentina, temos que informar que a senhora Mercedes Sosa, a maior artista da Música Popular Latino-americana, nos deixou", afirma a nota da sua família. Esta é uma verdade. Alguns artistas não morrem, eles deixam este pequeno mundo para trás e também nos deixam para brigar um pouco mais. La Negra se fue.

Nos comentários na internet, há um consenso de que alguns artistas jamais morrem. Se estão vivos, no caso de Mercedes, é "para siempre".

Essa segunda verdade diz respeito às grandes esperanças porque Mercedes também as deixou como lembrança para qualquer geração. Pelo menos aquelas grandes esperanças que couberam na poesia.

Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos.

10 Agosto 2009

O desanuviado ar de São Paulo - agora só falta o Tietê...

Ah, a Lei Antifumo... Quem é de São Paulo já deve ter visto o Dr. Dráuzio Varela na televisão, dizendo que a lei é uma boa oportunidade para as pessoas pararem de fumar. Como inveterado que já foi, ele deveria saber que isso só pode ser piada para provocar ainda mais a ira dos pobres fumantes despejados no olho da rua.

Antes que me crucifiquem, saibam que concordo com a medida. É muito difícil esperar que as pessoas tenham noções avançadas de educação a ponto de evitarem a fumaça em ambientes fechados e coletivos, sem ventilação e escapatória para quem não se arrisca a dar bafuradas e entupir os pulmões. Eu, como fumante, já conheço meu tenebroso destino: enclausurado nos banheiros. Ou na rua. Eu gosto da rua, não tenho problemas com essa nêga.

Se bem que alguns estabelecimentos já apontam alternativas. Na sexta-feira, ingressei nas primeiras horas do fantástico mundo do ar limpinho ao som de samba rock, no Bar Camará. Um mezanino à céu aberto era o refúgio dos fumantes. Havia 2 bombeiros na escada. Situação inusitadíssima. Se eu descesse com cigarro aceso eles acionariam um extintor?

Até segunda-feira, 50 locais já tinham tomado chicote na mulera.

Mas nada é mais pitoresco nessa jornada contra o tabaco do que o logo da lei. Eu não sei quem é, mas o marqueteiro criador dessa imagem só pode ser um fumante muito P*!# com as manias de bom ar do Serra.


Gripe social



Senti de perto os efeitos menos colaterais da Gripe A na semana passada. No metrô.

Na estação Paraíso, onde todos fazem baldeação, uma mulher muito apática se escorava no ombro do seu namorado, marido, amigo, algo assim. Ao entrar no vagão, sentaram-se perto da janela – ela com orelhas profundas, cara de dor, fraqueza e a máscara cirúrgica.

Na época da Virada Cultural, há três meses, vi muita gente com essa máscara na rua, no Largo do Arouche. Era um tanto ridículo a pivetada mascarada e cantando Wando. Parecia fantasia coletiva que todos deveriam ter combinado pela internet ou ter tido a mesma magnânima ideia. Há três meses, a gripe era coisa do México.

Mas, no metrô era coisa séria. Tanto que a mulher entrou sem ser percebida, mas, bastou passar duas estações para as pessoas terem todo o tempo do mundo para tirar os olhos do vazio e perceber a mascarada doente.

As máscaras devem ser usadas somente por quem está infectado. E isso, hoje, só não sabe quem não quer.

Por isso, ou porque pouco desejamos uma morte tão estúpida, as pessoas se afastaram, vociferavam olhares de reprovação. “Como pode essa mulher com a tal gripe aqui, justo no metrô onde estou?”. Nos olhares parecia que nada poderia explicar o fato da mulher não ter um carro para se deslocar ao hospital. Aos poucos, os assentos mais próximos ficaram desocupados. As pessoas se recolhiam.

Imaginei uma ficção, o mundo em histeria e tomado pela peste. Pouca coisa mudaria. Todos ainda estariam sobrevivendo no eterno isolar-se. Com gripe ou sem gripe, você também já deve ter visto e feito algo assim.